sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ANÉIS DE NOIVADO E O QUE ELES DIZEM POR TRÁS DO "QUER CASAR COMIGO?"



Ontem a Garance Doré postou no blog dela uma reflexão sobre as diferenças entre NY e Paris no que diz respeito ao anel de noivado e à importância que homens e mulheres de cada lugar dão a essa "entidade". Resumindo, ela descreveu como ela percebe a mulher francesa sendo mais "legal" com o namorado quando o assunto é casamento. Que na França bastaria um pedido simples e um relacionamento com amor para consumar o enlace, sem a exigência de um super anel, ao passo que novaiorquinas encaram essas jóias e festas como parte importante de suas vidas. Mesmo as mais rebeldes e supostamente desencanadas. Na equação, fatores como o lugar onde vão morar, o modo como é feito o pedido e o modelo do anel (atenção especial ao tamanho da pedra, é claro) definem a seriedade do pedido e condicionam o aceite.

Ela começa por defender o ponto de vista francês, mas logo condescende e atribui o contraste à diferença de cultura e conclui que, no fim, se trata de romance: American Way of Romance. Sendo que ela percebeu que não só as mulheres dão importância ao assunto e se confessa repensando a própria postura. O post termina com a Garance querendo saber das leitoras como elas se sentem sobre o tal do anel e como é isso no lugar de onde cada uma vem. Me parece que no Brasil a gente mistura um pouco desses dois mundos; a cerimônia ainda é bem valorizada, mas eu não vejo as mulheres exigindo diamantes gigantes. Ou talvez sejam só minhas amigas...

Mas o que me motivou a escrever sobre isso foi a vontade de citar um trecho do livro sobre o qual eu já escrevi aqui. No capítulo do 'Darwin vai às compras' que fala sobre a característica "afabilidade" ele conta sobre o fato histórico que alavancou o mercado dos anéis de noivado para exemplificar como ele é um sinalizador desse traço da personalidade. Leia e pense se isso faz sentido pra você. Para mim, condiz perfeitamente com o jeitinho americano de solucionar problemas da "civilização".

No micronível, muitos produtos prosperam porque são associados a personalidades e atividades afáveis. Desde a década de 1930, anéis de noivado com brilhantes constituem o principal símbolo das intenções românticas honrosas e, também, de afabilidade conjugal. As mulheres do início do século XX se depararam com o seguinte problema: declinavam os processos contra homens por danos financeiros advindos de uma quebra de compromisso matrimonial. Tornou-se extremamente comum elas serem seduzidas por psicopatas que prometiam o casamento e, então, abandonadas depois de eles se aproveitarem de sua virgindade durante o noivado. De Beers preencheu esse hiato de sinalização confiável com o lançamento do anel de brilhante, que recebeu uma propaganda pesada, com o slogan "Um diamante é para sempre". Os marqueteiros de diamantes recomendavam às mulheres pedirem que os homens gastassem dois meses de salário (ou aproximadamente a renda disponível de um ano) num anel, à guisa de sinal de seriedade do seu compromisso. Desde então, os anéis de noivado passaram a dominar a demanda por diamantes maiores de um quilate. Cada vez que os homens encontravam uma fonte mais barata de diamantes, as mulheres exigiam pedras maiores para manter a confiabilidade da sinalização. Hoje, noivos aspirantes debandam das joalherias a varejo para as lojas on-line, como a Blue Nile, que cobra 40% a menos por anéis de qualidade igual. Entretanto, as noivas, que normalmente escolhem pessoalmente o modelo preferido de anel na própria Blue Nile, ainda exigem do homem a regra dos dois meses de salário (o que resulta num preço médio de 6.400 dólares para um anel de noivado). A economia feita ao comprar on-line é convertida num diamante maior, e não resulta num custo inferior, opção que representaria sinal menos confiável de afabilidade.
 
Eu também vou terminar meu post com Beyoncé, porque é uma ilustrãção perfeita e uma coreografia que sempre vale a pena ver de novo.



3 comentários:

  1. Olá! Gostei do post, é o tipo de post que nos faz pensar. No Brasil este conceito de anel de diamantes para noivado está se disseminando, mas em vez de pedras, pontos de brilhantes. Acho até interessante, quando se tem grana para isso, porque tem história, mito e cultura, porém quando se torna obrigatório em nossas cabeças por osmose de publicidade e porque é um movimento em massa, perde-se todo o significado. Pelo que eu ouço, o anel de noivado e as alianças, é a demonstração de quanto se está comprometido com o relacionamento. Não é necessário que o anel seja absurdamente caro e valioso, mas que seja de um metal nobre, como o ouro. E outro ponto que ouço muito, é que é uma etapa importante, a transição entre o despretensioso e o "estou para o que der e vier - ou seja, na alegria e na tristeza" e toda a carga de responsabilidade, que inclui dinheiro, filhos e frustrações. E concordo com isso, já vi vários namoros se dissolverem, mesmo que aparentemente amorosos, quando toca-se no assunto casamento. E muitos outros que aceitam noivar, mas durante o percurso, desistem. Casamento não é algo prá ser fácil, mas não pode se tornar "o problema". Em fóruns de internet, onde há mais homens (que acompanho por sugestão do namorado), a discussão é mais pelo viés financeiro. E também não discordo. A principal angústia da parte deles reside no drama de gastar valores de um carro ou mais em um dia. Não que esse dia não seja importante, mas começar um casamento com dívidas não é algo atraente para a grande maioria, apenas que para as mulheres esse aspecto se torna nebuloso quando se pensa no ˜grande dia˜. Os homens pensam na casa que pagarão em prestações a perder de vista, na gravidez iminente e nos gastos que terão com a educação da prole, isso tudo antes de casar, e analisam como tudo isso lhes tirarão a liberdade, mais no aspecto de sair de um trabalho frustante, mudar de ramo, abrir um negócio. Eu me inclino mais para esse lado, pois não tenho esse sonho de princesa com festas requintadas, vestido luxuoso e tudo meticulosamente pensado. A comemoração (casamento) é um evento nobre, no sentido do motivo, pois é a celebração de um laço afetivo com pessoas que contribuíram para isso. O que as pessoas se esquecem é da adequação com a personalidade e com a realidade financeira do casal. Bom, depois do meu blá blá, interessante que o anel de diamantes veio para preencher uma necessidade de uma época, onde o encontro de mocinhas descuidadas com cafajestes estava se tornando frequente. E como uma campanha de marketing envolvendo afetividade, casou com a necessidade de filtro de aferição de confiança, onde pelo menos no mínimo, afastava-se os cafajestes pobres ou avarentos.

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    1. É, Claudia. Pra mim, não existe certo e errado (em nada). Errado é não refletir sobre e fazer tudo como os outros acham que tem que ser feito! ;)

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  2. Putz, errei feio: (...) o anel de noivado e as alianças SÁO DEMONSTRAÇÕES (....).

    PS: Tem como corrigir?

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