quarta-feira, 29 de agosto de 2012

10 COISAS QUE HENRI CARTIER-BRESSON NOS ENSINOU SOBRE FOTOGRAFIA DE RUA

Traduzi o post do site de um fotógrafo porque acho que as dicas deveriam ser repassadas em português para serem seguidas por quem curte fotografar o dia-a-dia. Herdei a câmera antiga com a qual as minhas irmãs começaram a fotografar e tô nessas de fazer fotos mais pensadas. Você pode acessar o link do post original clicando no título.

10 COISAS QUE HENRI CARTIER-BRESSON NOS ENSINOU SOBRE FOTOGRAFIA DE RUA

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Me preparando para meu workshop de fotografia de rua que está chegando, em Los Angeles, San Francisco e Chicago, eu tenho dado uma boa pesquisada em Henri Cartier-Bresson, o Poderoso Chefão da fotografia de rua. O fotógrafo Bo Lorentzen, baseado em LA até me emprestou uma cópia do documentário de HCB, que foi muito inspirador no modo como ele abordava a fotografia de rua (assim como as filmagens dele fotografando nas ruas de Paris).
 
Ainda que minha abordagem atual em relação à fotografia de rua seja mais para Bruce Gilden que para Cartier-Bresson, HCB influenciou muito do meu trabalho passado e eu ainda respeito profundamente sua fotografia e filosofias. Espero que você possa aproveitar essas coisas das quais eu acredito que você possa aprender de Henri Cartier-Bresson sobre fotografia de rua. Continue lendo para se inspirar e aprenda mais.
1. Foco na Geometria

Se você olhar para o trabalho de Henri, ele aplicava geometria às suas imagens poeticamente. Se olhar a composição de suas imagens, ele integrava linhas verticais, horizontais e diagonais, curvas, sombras, triângulos, círculos e quadrados, a seu favor. Henri Cartier-Bresson prestava também particular atenção às molduras.
Não veja o mundo apenas como ele é, busque também formas e geometrias que aconteçam naturalmente. Abra sua mente e descubra diferentes elementos em seu ambiente. Procure linhas que levem ao seu objeto ou quadrados que enquadrem sua imagem.  Se torne poético com suas imagens e integre atores e palcos interessantes quando estiver lá fora fotografando.
2. Seja Paciente

Quando Henri Cartier-Bresson falava sobre "O Momento Decisivo" ele dizia que algumas vezes ele era espontâneo, mas em outras ele tinha que esperar por ele pacientemente. Independente disso, ele era muito metódico quando saía para fotografar, e só mantia suas imagens se todos os elementos (pessoas, fundo, enquadramento e composição) estivessem perfeitos.
 Quando estiver na rua fotografando e vir cenas fascinantes, espere que a pessoa certa passe e assim complete sua imagem. Mesmo que você não queira acampar por horas esperando para que o momento certo ocorra, pratique um pouco a paciência. Nem sempre você precisa correr atrás das oportunidades a serem fotografadas. Permita que elas cheguem até você.
3. Viaje
HenriCartier-Bresson
Henri cartier-Bresson viajava o mundo e fotografava em lugares como Índia, toda a Europa, os Estados Unidos, China, assim como a África. Quando viajava, ele era capaz de capturar uma fatia diferente da vida e aprender mais sobre as pessoas do local, com quem estava. Por exemplo, quando ele estava fotografando a Índia - ele ficou lá por cerca de um ano e ficou imerso naquela cultura.

Apesar de ser ótimo clicar fotografia de rua no seu próprio quintal, é bom viajar sempre que possível. Explore diferentes países e culturas e isso ajudará a inspirar sua fotografia e a abrir seus olhos.

4. Se atenha a uma lente

Ainda que HCB fotografasse com uma variedade de lentes durante seu trabalho para a Magnum, ele usava somente uma 50mm se estivesse fotografando para ele mesmo. Sendo fiel àquela lente por décadas, a câmera realmente se tornou "uma extensão de seus olhos".

Aplique a mesma mentalidade quando for sair para fotografar. Eu encorajo as pessoas a usarem diferentes lentes focais para ver o mundo de uma forma diferente e experimentar - mas se ater a uma só, por fim, ajudará a solidificar sua visão artística. Você será capaz de ver linhas naturais de enquadramento na sua vida diária e saberá exatamente como suas fotos ficarão quando clicadas de certos ângulos e distâncias.
5. Tire fotos de crianças
Uma das minhas fotos favoritas de Henri Cartier-Bresson é a desse garoto carregando duas garrafas de vinho debaixo dos braços, com o sorriso triunfante de um campeão. A primeira vez que vi a imagem, ela me arrebatou o coração ao me lembrar da minha própria infância. Henri era um mestre em tirar fotos de crianças em seu natural estilo lúdico, criando imagens que transmitem uma nostalgia bonita aos seus espectadores.

Hoje em dia é incrivelmente difícil fotografar crianças (toda essa histeria nos noticiários sobre pedofilia e raptos). Contudo, crianças são ótimos objetos a se fotografar quando se trata de fotografia de rua. Em minha experiência eu notei que elas não se importam de estar na frente das câmeras, e com frequência a ignoram. Assim você é capaz de captar sua essência verdadeira: brincalhona, curiosa e muitas vezes maliciosa.
6. Seja discreto
Quando Cartier-Bresson  ia fotografar nas ruas, ele era tão prudente e discreto quanto pudesse. Eu li que ele cobria sua Leica com fita preta e às vezes até com um lenço para fazê-la menos notável enquanto fotografava. Na maioria das imagens que ele capturou, seus objetos esqueciam da câmera e assim eram realmente sinceros.

 Se você quer fotografar da mesma forma, use roupas que se misturem ao cenário e trabalhe de forma rápida sem hesitar. Se você vir vídeos de Henri Cartier-Bresson fotografando poderá perceber que ele tem a destreza de um felino, é muito rápido e ágil. Se você vir uma cena que queira capturar, traga a câmera rapidamente para o olho e se mova antes que qualquer um o perceba.
7. Enxergue o mundo como um pintor


Antes de Henri começar na fotografia, ele tinha interesse mesmo em pintar. Uma vez que HCB descobriu a fotografia, ele aplicou a mesma estética da pintura clássica em suas imagens. Para Henri, a composição era extremamente essencial e suas imagens refletem as dos pintores românticos anteriores a ele. O mais interessante é que quando bem mais velho, ele renunciou à fotografia e focou o resto de sua vida no desenho. Você pode conferir sua entrevista aqui.

A fim de se tornar um fotógrafo de rua melhor, estude o trabalho de pintores. Veja como se utilizam de enquadramentos, composições, pessoas e cenas. Um pintor que eu acho absolutamente fascinante é Edward Hopper, que foi essencialmente um fotógrafo de rua armado com pincéis. Não limite sua inspiração a livros de fotografia, explore outras formas de artes clássica, moderna, surreal e abstrata, também.

8. Não corte

Cartier-Bresson era veementemente contra o cropping. Ele acreditava que sempre que você tira uma foto, ele deve ser feito na câmera. Se o enquadramento ou composição ficassem um pouco fora, ele desconsiderava a imagem.

Ainda que minha filosofia pessoal seja um pouco mais solta em relação ao corte, eu ainda acredito que é melhor se você alcançar a sua fotografia de rua sem cortar. Se você cortar muito frequentemente, acaba se tornando muito preguiçoso com o enquadramento quando está realmente clicando, o que vai embaçar sua visão fotográfica. 
9. Não se preocupe com o processamento
Por mais que Henri soubesse como processar e revelar seus próprios filmes, ele nunca o fez sozinho. Ele saía, fotografava e mandava suas fotos para pessoas em quem confiava, que as revelava para ele. Isso deu a ele uma enorme vantagem porque permitiu que passasse menos tempo na sala escura e mais tempo fotografando.

Nessa era moderna e digital, fotógrafos estão preocupados demais em pós-processamento. Se você realmente não souber nada sobre o assunto, compre uma cópia do Lightroom 3 e baixe minhas predefinições de fotografia de rua. Mesmo que eu goste de pós-processar minhas imagem RAW para preto e branco, passar tempo demais no pós-processamento vai te atrapalhar. Se você tirar uma foto ruim, não há Photoshop que a fará melhor.
10. Sempre brigue por mais
Henri Cartier-Bresson unca teve grande apego emocional às suas imagens. No documentário dele que assisti, eles tentaram surpreendê-lo ao imprimir e mostrar a ele todos os seus trabalhos anteriores e clássicos nas paredes da galeria onde o entrevistaram. Entretanto, HCB olhava para eles com pouco interesse e contou a eles que uma vez que ele tirava uma foto, simplesmente a superava e partia para procurar a próxima.

Mesmo que seja ótimo apreciar seu próprio trabalho, nunca o idolatre e deixe isso te prender. Se você tem um portfólio de imagens incríveis, lute para conseguir fazer imagens ainda melhores. Não se satisfaça e se torne complacente. Sempre lute por grandeza.

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