quarta-feira, 24 de outubro de 2012

:: VALE A PENA :: MEDIANERAS

Eu, mais uma vez atrasada, assisti Medianeras só ontem, mesmo tendo planejado por um ano todo. Primeiro durante a 35ª edição da Mostra Internacional de Cinema (neste exato momento está acontecendo a 36ª) e depois escrevendo em listas escritas à mão, no celular, no iPad... mesmo depois de ter o arquivo devidamente baixado no computador, levei um tempo e, só ontem, diante da chuva que me desencorajou a ir assistir a qualquer filme da mostra atual eu coloquei o bendito para rodar e... me apaixonei.




Uma das coisas que provavelmente me fez não ter tanta pressa de assisti-lo foi a sinopse que o descrevia como um filme que tratava do encontro entre dois solitários através da internet. Conferindo, eu diria que ele é muito mais a associação entre a vida da cidade e a nossa, as metáforas que são observadas na construções falando de nós mesmos. Se soubesse disso antes, teria ido ver o filme muito antes, mesmo que embaixo de chuva.

Trancrevi o primeiro trecho do filme que podia muito bem descrever São Paulo, tirando que no filme eles citam a crise argentina, que não é bem o nosso caso. De resto, a história podia perfeitamente falar sobre nós, paulistanos.


Buenos Aires cresce descontrolada e imperfeita.
É uma cidade superpovoada num país deserto.
Uma cidade onde se erguem milhares e milhares de prédios...
sem nenhum critério.
Ao lado de um muito alto, tem um muito baixo.
Ao lado de um racionalista, tem um irracional.
Ao lado de um em estilo francês, tem um sem estilo.
Provavelmente essas irregularidades nos refletem perfeitamente.
 
Irregularidades estéticas e éticas.
 
Esses prédios, que se sucedem sem lógica...
demonstram total falta de planejamento.
Exatamente assim é a nossa vida...
que construímos sem saber como queremos que fique.
 
Vivemos como quem está de passagem por Buenos Aires.
Somos criadores da cultura do inquilino.
Prédios menores para dar lugar a outros prédios, ainda menores.
Os apartamentos se medem por cômodos...
vão daqueles excepcionais,com sacada...
sala de recreação, quarto de empregada e depósito...
até a quitinete,ou "caixa de sapato".
 
Os prédios, como muita coisa pensada pelos homens...
servem para diferenciar uns dos outros.
Existe a frente e existe o fundo.
Andares altos e baixos.
Os privilegiados são identificados pela letra A, às vezes B.
Quanto mais à frente no alfabeto,pior o apartamento.
Vista e claridade são promessas que poucas vezes se concretizam.
 
O que esperar de uma cidade que dá as costas ao seu rio?
É certeza que as separações e os divórcios...
a violência familiar, o excesso de canais a cabo...
a falta de comunicação, a falta de desejo...
a apatia, a depressão, os suicídios...
as neuroses, os ataques de pânico...
a obesidade, a tensão muscular...
a insegurança, a hipocondria...
o estresse e o sedentarismo...
são culpa dos arquitetos e incorporadores.
 
Esses males, exceto o suicídio, todos me acometem.

Um comentário:

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