Quatro semanas até o Natal e contando.
Acho que me comportei bem durante o ano e por isso tive a audácia de criar uma lista de desejos. Acho que é bom organizar eles assim e guardar em algum lugar onde seja fácil consultar para, quando bater ataques consumistas, lembrar quais eram os desejos que já estavam ali,amadurecendo na cabeça e no coração. Porque assim vale a pena comprar.
Papai Noel, esse ano, é isso que eu quero.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
UMA DECLARAÇÃO CONTRA AS COLABORAÇÕES PARA O FAST FASHION
Traduzi um artigo publicado pela BoF no último dia 12, no qual o editor da revista StyleZeitgeist defende seu ponto em discordar das colaborações de grandes designers com redes de fast fashion. Eu concordo com tudo que ele coloca e também convido vocês a pensar sobre o que é roupa, o que é moda, como se (des)constrói uma marca e como se forma o estilo.
Com a coleção cápsula da Maison Martin Margiela para a H & M definida para chegar às lojas hoje, o colaborador convidado pela Business of Fashion, Eugene Rabkin, editor-chefe da revista StyleZeitgeist, faz sua declaração contra colaborações fast fashion.
NOVA YORK, Estados Unidos - Oito anos se passaram desde que Karl Lagerfeld desenvolveu para a H&M a primeira colaboração entre um designer de alta costura e uma grande rede de varejo, em uma coleção cápsula de edição limitada. Desde então, uma variedade de varejistas, da Target a Topshop, lançaram suas próprias colaborações de designers, com nomes como Proenza Schouler, Christopher Kane, Alexander McQueen e outros. E o sucesso desta fórmula não mostra sinais de enfraquecimento, com Maison Martin Margiela para a H & M esperando esgotar o estoque tão logo chegue às lojas em 15 de novembro.
Mas, enquanto colaborações "Cheap and Chic" se provaram extremamente populares entre os consumidores, é importante ressaltar que, para os grandes varejistas como H&M e Target, seu sucesso é medido principalmente em impressões de mídia, e não de vendas. De fato, estas colaborações raramente movem a agulha em termos de volume global de vendas. Em vez disso, elas geram "mídia espontânea" equivalente a milhões de dólares em publicidade, além de levar pessoas para as lojas. Enquanto isso, os designers participantes beneficiam-se da exposição em grande escala para potenciais novos clientes e gordos cachês que podem, por vezes, ultrapassar US$ 1 milhão.
Estes motivos comerciais subjacentes são muitas vezes ocultados, no entanto, por uma frase sempre presente mas perniciosa: 'Democratização da moda'. Quem cunhou o termo é certamente um gênio de marketing do século 21. Em face disso, quem pode argumentar que "a democratização da moda" não é uma coisa boa?
Eu posso.
As palavras 'democratização' e 'moda' já não têm significado. Em um ensaio escrito em 1947, intitulado "Política e a Língua Inglesa", George Orwell alertou contra figuras políticas que propositalmente obscurecem a linguagem, tornando certas palavras sem sentido. A "democracia" era o seu exemplo. Mas, desde então, os gurus do marketing deixaram os políticos na poeira.
'Fashion', no sentido ao qual agora é associado nas ruas, palavra usada para significar o estilista de moda, ou seja, algo feito por um criador que coloca o cuidado e pensamento no que ele ou ela está criando. Isso significa projetos cuidadosamente feitos com atenção aos detalhes e com sensibilidade estética.
Mas em algum lugar ao longo do caminho, a definição de 'moda' mudou. Vários anos atrás, eu fiquei surpreso com um dos meus alunos da Parsons, que proclamou que "tudo é projetado." Não é verdade. Por exemplo, a primeira camisa pólo foi cuidadosamente projetada. Mas hoje em dia, a única grande diferença entre camisas pólo feitas por vários concorrentes (muitas vezes nas mesmas fábricas) é o logotipo: jacaré ou jogador de pólo. Na verdade, hoje, a palavra 'design' significa apenas 'cool'. Dizer que algo é projetado é como dizer "Isso não é legal?" e, por extensão," Eu não sou legal?". O mesmo vale para a moda.
Eu convido alguém a argumentar que as marcas de fast fashion produzem 'moda' no sentido original da palavra. Eles podem vender roupas decentes a preços acessíveis - mas não moda.
Isto é perfeitamente bom, é claro. Fornecer acesso a roupas a preços acessíveis é um objetivo nobre. Mas, infelizmente, este objetivo foi pervertido há muito tempo pela ascensão do comportamento do consumidor irresponsável que transformou o ato de comprar em uma atividade de lazer. De acordo com a reciclagem de produtos têxteis para a Ajuda e Desenvolvimento Internacional (TRAID), os consumidores do Reino Unido compram a quantidade colossal de 2,15 milhões de toneladas de roupa nova por ano. Eles também jogam fora mais de 900.000 peças de vestuário por ano, às vezes com as tags de vendas ainda afixadas. Nos EUA, o quadro é ainda mais grave, com consumidores descartando cerca de 10 milhões de toneladas de roupas por ano.
Dries van Noten me disse uma vez que seu avô era um alfaiate, cuja especialidade era reparar ternos usados desmontando-os, transformando o tecido de dentro para fora, e costurando-os novamente. Certamente, nós não precisamos mais fazer isso, mas não deixa de haver algo cativante nesta história. Nós costumávamos nos importar com os objetos que nos cercavam.
Não foi até 1930 que o preço das roupas começou a cair e as pessoas se tornaram capazes de comprar mais. Na verdade, o custo do vestuário tem tido uma trajetória descendente constante, apesar da inflação. E, hoje, grande parte da sociedade ocidental passou de satisfazer as suas necessidades à devorar roupas descartáveis. Dê um passeio de fim de semana na Oxford Street, em Londres, ou na Broadway, em Nova York, e testemunhará hordas de adolescentes em suas peregrinações semanais de compras em grandes cadeias de varejo.
Para este público, 'roupas' não são suficientemente legais. 'Fashion' é o que atrai os jovens para as lojas, a razão de ser por trás dessas colaborações de grife. Mas não se enganem, o que é chamado de "democratização da moda" é realmente o abastardamento da moda, ou seja, pegar idéias de um designer e dilui-las para o consumo de massa.
Estilo real é uma questão de gosto. E gosto é uma questão de experiência. Assim como o gosto da pessoa em arte, música e livros, o gosto para roupas se forma ao longo do tempo. É preciso esforço e conhecimento. Comprar a ideia de um estilo, de forma rápida e barata, leva inevitavelmente à descartabilidade do estilo. É como ler as notas de Cliff em vez do livro.
Faça uma pesquisa no YouTube para "colaborações H&M". Você vai ver crianças de olhos remelentos fazendo fila horas antes da abertura das lojas, a fim de obter algumas pechinchas de "designer". Em um vídeo desses, um jovem rapaz diz que chegou na H&M nove horas antes do lançamento da colaboração da Comme des Garçons para a H&M porque "Comme des Garçons é uma marca legal."
Ironicamente, a adoração à marca era exatamente o que Maison Martin Margiela era contra. Durante anos, Margiela foi o designer de um designer, um criador inteligente e um pioneiro da desconstrução que se recusou a falar com a imprensa, deixando seu trabalho falar por si. As tags em suas peças não traziam o seu nome, eram totalmente brancas. Ele era um inventor, um engenheiro da alfaiataria cujas roupas, muitas vezes, dissimulavam sua complexidade.
Linda Loppa, chefe da escola florentina de moda Polimoda e ex-diretora do departamento de moda da Academia de Belas Artes Real da Antuérpia, escreveu por e-mail: "Só aparece na superfície que o conceito Margiela pode ser facilmente replicado. Na verdade, as roupas não são simples. Os padrões exigem muita habilidade, a alfaiataria muito conhecimento e atenção aos detalhes".
Em 2002, Margiela vendeu sua empresa para o Grupo Renzo Rosso OTB, que também é dono de Victor & Rolf e Diesel. Então, em dezembro de 2009, ele deixou a marca. E hoje, temos H & M x MMM. Dois opostos se encontraram. E eu tenho certeza que eu não sou o único que vê o paradoxo.
De qualquer maneira, se você está disposto a comprar esta colaboração, por favor, só não ache que você está comprando 'moda' ou uma parte do legado de Margiela - o que você está comprando são imitações de linha de montagem que irá jogar fora no próximo ano. Mas se isso se tornou a sua ideia de moda, insisto-lhe que reconsidere.
Eugene Rabkin é o editor-chefe da revista StyleZeitgeist e fundador da stylezeitgeist.com
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
:: PARTE 4:: READY TO WEAR SS2013 MILÃO
Ah, eu amo a Itália: a língua, a comida, as paisagens, as marcas de lá! As italianas têm uma elegância pautada na força, que é muito sexy. O melhor elogio que eu recebi na vida (e faço questão de não esquecer) foi: "If you were a little bit taller, you´d be so Gucci!". Na época, quem desenhava para a marca era o Tom Ford, que ainda é um dos meus preferidos. Se eu tivesse que escolher uma razão por que ser rica, seria para comprar muitas peças de cada coleção dele!
Mas vamos ao que interessa. Dividi a temporada de Milão em duas partes, essa é a primeira.
Mas vamos ao que interessa. Dividi a temporada de Milão em duas partes, essa é a primeira.
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| Alberta Ferretti |
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| Bottega Veneta |
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| Blumarine |
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| Dolce Gabbana |
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| Dolce Gabbana |
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| Emilio Pucci |
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| Emporio Armani |
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| Fendi |
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| Gianfranco Ferre |
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| Giorgio Armani |
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| Gucci |
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
BUSTIÊ
Foi Dolce & Gabbana colocar na passarela um modelo de bustiê nas tendências da estação, cropped mais saia lápis em conjuntinho estampado, que o mundinho da moda se alvoroçou pelo modelo de top que deixa qualquer mulher sexy num fechar de botões. A peça que desde sempre foi adotada pelas pin-ups, pode ser usada por todas, agora que é tendência.
Para não ser confundida com a moça do retrato no quarto de um jovem soldado, revele um pedaço de pele de cada vez. Se o modelo for curto, a calça ou saia devem ter a cintura alta, mesmo que for deixar um pouquinho da barriga à mostra; se for tomara-que-caia, cubra todo o resto; se for transparente, cuidado para não parecer ter esquecido de colocar a blusa ao sair de casa. Nesse caso, mais é mais. Pode inclusive exagerar na estampa.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
:: VALE A PENA :: MEDIANERAS
Eu, mais uma vez atrasada, assisti Medianeras só ontem, mesmo tendo planejado por um ano todo. Primeiro durante a 35ª edição da Mostra Internacional de Cinema (neste exato momento está acontecendo a 36ª) e depois escrevendo em listas escritas à mão, no celular, no iPad... mesmo depois de ter o arquivo devidamente baixado no computador, levei um tempo e, só ontem, diante da chuva que me desencorajou a ir assistir a qualquer filme da mostra atual eu coloquei o bendito para rodar e... me apaixonei.
Uma das coisas que provavelmente me fez não ter tanta pressa de assisti-lo foi a sinopse que o descrevia como um filme que tratava do encontro entre dois solitários através da internet. Conferindo, eu diria que ele é muito mais a associação entre a vida da cidade e a nossa, as metáforas que são observadas na construções falando de nós mesmos. Se soubesse disso antes, teria ido ver o filme muito antes, mesmo que embaixo de chuva.
Trancrevi o primeiro trecho do filme que podia muito bem descrever São Paulo, tirando que no filme eles citam a crise argentina, que não é bem o nosso caso. De resto, a história podia perfeitamente falar sobre nós, paulistanos.
Uma das coisas que provavelmente me fez não ter tanta pressa de assisti-lo foi a sinopse que o descrevia como um filme que tratava do encontro entre dois solitários através da internet. Conferindo, eu diria que ele é muito mais a associação entre a vida da cidade e a nossa, as metáforas que são observadas na construções falando de nós mesmos. Se soubesse disso antes, teria ido ver o filme muito antes, mesmo que embaixo de chuva.
Trancrevi o primeiro trecho do filme que podia muito bem descrever São Paulo, tirando que no filme eles citam a crise argentina, que não é bem o nosso caso. De resto, a história podia perfeitamente falar sobre nós, paulistanos.
Buenos Aires cresce descontrolada e imperfeita.É uma cidade superpovoada num país deserto.Uma cidade onde se erguem milhares e milhares de prédios...sem nenhum critério.Ao lado de um muito alto, tem um muito baixo.Ao lado de um racionalista, tem um irracional.Ao lado de um em estilo francês, tem um sem estilo.Provavelmente essas irregularidades nos refletem perfeitamente.Irregularidades estéticas e éticas.Esses prédios, que se sucedem sem lógica...demonstram total falta de planejamento.Exatamente assim é a nossa vida...que construímos sem saber como queremos que fique.Vivemos como quem está de passagem por Buenos Aires.Somos criadores da cultura do inquilino.Prédios menores para dar lugar a outros prédios, ainda menores.Os apartamentos se medem por cômodos...vão daqueles excepcionais,com sacada...sala de recreação, quarto de empregada e depósito...até a quitinete,ou "caixa de sapato".Os prédios, como muita coisa pensada pelos homens...servem para diferenciar uns dos outros.Existe a frente e existe o fundo.Andares altos e baixos.Os privilegiados são identificados pela letra A, às vezes B.Quanto mais à frente no alfabeto,pior o apartamento.Vista e claridade são promessas que poucas vezes se concretizam.O que esperar de uma cidade que dá as costas ao seu rio?É certeza que as separações e os divórcios...a violência familiar, o excesso de canais a cabo...a falta de comunicação, a falta de desejo...a apatia, a depressão, os suicídios...as neuroses, os ataques de pânico...a obesidade, a tensão muscular...a insegurança, a hipocondria...o estresse e o sedentarismo...são culpa dos arquitetos e incorporadores.Esses males, exceto o suicídio, todos me acometem.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
:: PARTE 3 :: READY TO WEAR SS2013 NY
Consegui terminar a última parte da semana de moda de NY. Se dá esse trabalho todo só olhar e escolher o que mais gosta, imagina produzir os desfiles. Se quiser ver a parte 1, tem aqui; e a parte dois, aqui.
Em breve, voltamos com a programação normal!
P.S. Victoria Beckham não sabe sorrir, mas faz vestidos como ninguém. Quero todos!
Em breve, voltamos com a programação normal!
P.S. Victoria Beckham não sabe sorrir, mas faz vestidos como ninguém. Quero todos!
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| Rag & Bone |
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| Rebecca Minkoff |
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| Rodarte |
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| See by Chloé |
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| Thakoon |
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| Thakoon Addition |
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| The Row |
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| Theyskens´Theory |
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| Tibi |
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| Victoria, Victoria Beckham |
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| Victoria Beckham |
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| Y-3 |
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