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terça-feira, 23 de abril de 2013

PARA DEIXAR A FRANJA CRESCER



As moças se acham muito complexas, mas a verdade é que têm todas problemas bem parecidos. Minha especialidade não é beleza, mas eu não vejo por que não falar das soluções que eu achei para os meus próprios problemas - que devem coincidir com o de tantas outras meninas/mulheres por aí. Me dei conta disso depois de assistir a esse filme no fim de semana. Comédia romântica boba com final previsível, mas né?, nunca subestime o valor de um bom água-com-açúcar num domingo à tarde.

A estreia do consultório de ajuda mútua é sobre 'Como deixar a franja crescer', e quem me conhece deve estar achando estranho porque eu sempre volto pra ela, mas a verdade é que eu não consigo decidir se quero ou não cortá-la, e enquanto isso eu sofro com esse comprimento ingrato. Quer dizer, sofria, porque eu me dei conta que eu não preciso ficar com aquela cara de quem não liga para a própria aparência.

Então, eu comecei a pensar em alguns jeitos de usar o cabelo nos próximos meses, de um jeito que pareça que eu quis fazer um penteado diferente e não como se eu tivesse tentando disfarçar um defeito. Ninguém merece reviver aqueles dias de gola rulê em pleno verão da adolescência. Know what I mean?

#1. Topetinho
Falando assim parece ridículo, mas vai imaginando. Um pouco de dust it, aquele pózinho finalizador, puxa a franja pra trás, dá uma empurradinha de volta pra frente e prende com um grampo. Para não ficar com cara de anos 90, é melhor pegar um pouco de cabelo das laterais e prender na mesma altura. Fica mais com cara de Lana Del Rey.

 


#2.  Tudo Junto Misturado Forever
Pensar em usar gel não me parece uma boa ideia, mas é hora de abrir exceções. Passa no cabelo úmido e cola a franja no reso do cabelo. Prende tudo num rabo de cavalo ou num coque, meio bailarina mesmo, e seca. Reza pra franja continuar ali, junto com o resto do cabelo.


 

#3. Torcida
Fácil e segura. Pega a franja, dá uma torcidinha em direção a um dos lados da cabeça e prende com um grampo (indo na direção oposta, passando por dentro do rolo todo). Se você ainda por cima tiver paciência de fazer uma trança embutida na lateral, por exemplo, vai parecer mesmo que você queria aquele detalhe ali bem em cima da sua testa. Que é o intuito.


spring-2012-hairstyles-twists

#4. Tiarinha ou Faixinha
Você pode escolher a que preferir, tem muitas e boas opções. O segredo é não deixar a ponta toda espetada da franja aparecendo lá atrás. Vale passar gel, mousse, spray para camuflar a bendita com os fios mais compridos.

 

#5. Turbante
Não precisa ser aquele com 20 metros de tecido, digno de faquir. Na internet tem um monte de vídeos ensinando a fazer um turbante para a vida real, eu gosto desse, mas tem milhares de variações. A boa notícia é que agora tem mais um bom motivo para usar todos os lenços que eu andei comprando e ganhando ultimamente.

 




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

:: COMO NÃO AMAR? :: URBAN OUTFITTERS, INC.

E aí você se dá conta de que 3 das suas lojas preferidas do mundo são do mesmo grupo e, não, nós estamos falando de Inditex e de amor conquistado quase exclusivamente pelo bolso. Urban Outfitters, Free People e Anthropologie são minhas lojas preferidas porque têm um mix de produto todo relacionado a estilo de vida, uma comunicação coerente, lojas online que funcionam e lojas físicas que são paradas obrigatórias (infelizmente só em viagens... bem que podiam abrir por aqui.).
 
Fundada em 1970 como 'The Free People´s Store' na Filadélfia, teve seu nome mudado para Urban Outfitters pouco depois, pelo seu dono Richard Hayne. Segundo a própria empresa explica, "a UO busca criar uma experiência de compra diferente, criando um laço emocional com o público de 18 a 30 anos ao qual serve".  Uma das empresas que melhor entendeu seus clientes, a internet como ferramenta de relacionamento e lucra cada vez mais com isso.


A Urban Outfitters é a marca mais baratinha, tem produtos que vão de um bottom de $5 até peças de designer, tem feminino e masculino, e também a categoria 'Apartment', com itens de decoração, papelaria, jogos, LPs e brinquedos. O bom humor dá o tom da loja e eles praticam a tão falada sustentabilidade através da Urban Renewal (detalhes aqui).




A Anthropologie vende roupa só para mulheres e itens de decoração e móveis (beeeem femininos) que tem sempre uma cara de handmade, que combina com gente do tipo atenta aos detalhes, mas sem ostentação. Coisa de menina delicada, muito muito fofa, sabe? Mas não é tão barata como a UO.






A Free People é a mais cara das três e é focada na hippie rica. Trabalha com materiais nobres para produzir peças que têm aquela cara de peça-única. A grande sacada da marca é a seção 'Vintage Loves', (vale a pena ler o about), que tem peças garimpadas especialmente em vintage stores e antiquários.


Desde 2006 seu QG é o Urban Outfitters Corporate Campus, um dos escritórios mais legais que eu já vi, onde trabalham os mais de 600 funcionários. São 5 prédios no pátio histórico da Marinha, na Filadélfia, projetados pelo Meyer Scherer & Rockcastle, um escritório de arquitetura que fez um ótimo trabalho, como você pode conferir nas fotos.

Resumindo, se funcionário ainda por cima tiver desconto, é o melhor lugar do mundo para trabalhar!
(fotos daqui, ó)












segunda-feira, 20 de agosto de 2012

ENQUANTO MAD MEN NÃO VOLTA...

Você mata saudades do Jon Hamm respondendo às 5 perguntas de adolescentes para a Rookie Mag.



Ask a Grown Man: Jon Hamm from Rookie on Vimeo.

TECIDOS ESTAMPADOS: CRIE O SEU



Eu não lembro exatamente quando nem como eu cheguei a esse site, mas eu acho a ideia bem incrível, então vale a pena dividir.

Pra começar, deixa eu explicar a tal ideia. Spoonflower é um site que vende tecidos naturais, de qualidade, com estamparia eco-friendly, por metragem, com  entrega internacional (inclusive para o Brasil). Até aí nada de mais.

A grande sacada é o caráter colaborativo e personalizado. Eles vendem voil, crepe, cetim de algodão orgânico, malha de algodão orgânico com a estampa que você criar. Nessa "modalidade" você tem 20% de desconto na compra, e o seu design fica disponível para outras pessoas. Quando alguém comprar, você ganha 10% do valor.

Isso significa que se você não quiser criar, pagando o preço cheio (não vou mentir, não é baratíssimo), você tem acesso a milhares de estampas, criadas por terceiros, que estão sempre sendo renovadas. A vantagem, sobre os tecidos que  você encontraria em lojas de tecido comuns é, na minha humilde opinião, a disponibilidade de tendências recém-lançadas em velocidade maior que a permitida pela indústria têxtil tradicional.

Ainda não comprei nem uma amostrinha, mas sempre entro e dou uma olhada nas estampas novas. Já tenho algumas fotos de modelos que quero mandar para a costureira fazer com os tecidinhos praticamente exclusivos. Quando finalmente realizar o projeto, eu conto por aqui.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

ULYANA SERGEENKO

O site Style.com publicou entrevista com a estilista russa e alvo dos fotógrafos de street style há algumas temporadas, Ulyana Sergeenko. Sua marca homônima  estreou na última semana de moda em Paris. Ela fala da estreia, de seu estilo pessoal e de suas raízes.





Dois anos atrás, pessoas no seu próprio país riam das saias folclóricas e dos vestidos compridíssimos da russa Ulyana Sergeenko. Hoje, elas estão fazendo fila para vesti-los em Moscou e em Paris.
Por Nicole Phelps

Ulyana Sergeenko. Delineador e batom são quase tão marcantes no visual quanto a coleção de Dolce & Gabbanas, Chanels, e Pradas


Era uma vez, ou três anos atrás para ser mais preciso, os assuntos favoritos de Tommy Ton costumavam ser os editores de moda de Paris, Milão ou Londres , e os varejistas desses lugares. Hoje, ele mais frequentemente do que nunca, mira suas lentes sobre a nova Federação Russa - Miroslava Duma, Elena Perminova, Anya Ziourova, Vika Gazinskaya, e especialmente a sua mascote não-oficial, Ulyana Sergeenko. As ousadas e múltiplas trocas diárias de roupas de luxo de Sergeenko são difíceis de resistir, e não apenas para o nosso fotógrafo de street style residente. Esposa de 32 anos de um magnata russo do ramo de seguros, Sergeenko tem apostado sua fama recém-descoberta em uma grife de moda em expansão, que fez sua estréia na semana de moda em Paris no início deste mês. Foi corajoso ou imprudente ir contra maisons com décadas de know-how, mas Sergeenko atraiu uma multidão que incluía Carine Roitfeld, Patrick Demarchelier, e Grace Coddington, e a mensagem era clara: Esta última invasão russa está apenas começando.  Style.com falou com a nova designer por telefone a partir de Moscou para descobrir quem está fazendo pedidos, as origens de sua fixação por moda na juventude, e porque ela tem sonhos com Dolce & Gabbana.


Vamos começar com o seu desfile couture. Qual você acha que foi o resultado, a resposta da crítica, como estão os pedidos?
Eu estava exausta e muito feliz ao mesmo tempo. Toda a equipe fez um ótimo trabalho. Você sabe, a marca existia há apenas um pouco mais de um ano. Foi muito, muito difícil para nós fazer todas essas coisas e preparar tudo, mas temos um grande número de encomendas. Pessoas de todo o mundo, estamos recebendo pedidos de um monte de coisas. Estamos realmente muito, muito felizes porque isso significa que as pessoas gostam. Sabe, o que poderia ser melhor?

Que peças receberam mais pedidos?
Temos um top cinco. Primeiro, a saia que a Jessica Stam desfilou. Em segundo lugar está o casaco com zibelina. Então, muita gente quer as bolsas, que você pode usar nas costas. Os sapatos vermelhos. E um vestido rosa que a Elena Perminova estava usando. Ela era uma convidada e já estava com uma peça da passarela.

Ela deve talvez estar em seu desfile na próxima temporada. Vocês duas eram modelos, certo?
Eu não sou mais modelo. Foi muito, muito tempo atrás, em St. Petersburg. É claro, não foi Paris. E os meus pais eram ambos contra esta profissão. Eu era muito jovem e precisava da permissão deles para deixar o país, o que não aconteceu. Estou feliz com isso agora, mas naquela época eu fiquei muito chateada.

Por que você está feliz com isso agora?
Estou absolutamente satisfeita com a minha vida agora. Estou feliz por não ser modelo, por ser uma designer. Eu acho que eu encontrei meu caminho. Amo minha profissão, amo meu trabalho, meu negócio. Eu gasto todo o meu tempo em nosso escritório.



Por que desfilar durante o Couture e não no Prêt-à-Porter?
Temos de fazer alta-costura, porque na Rússia não temos qualquer indústria de moda. É muito difícil organizar o processo de produção do prêt-à-porter, por isso temos de fazer roupas de alta costura. Estamos fazendo tudo em um só edifício. Todos os nossos botões bordados, todos os nossos sapatos. Nós estamos tentado encontrar pessoas de todo o país que podem fazer algo realmente muito especial. É por isso que fazemos alta costura.

Quem você gostaria de vestir que não vestiu ainda?
Agora, estamos recebendo muitos pedidos de celebridades. Mas para mim, eles são todos iguais. Claro, é um grande prazer e grande honra que Natalia [Vodianova] tenha escolhido a nossa marca. Ela não sabia nada sobre nós. Ela me conheceu há mais de um ano atrás, vestindo meu próprio casaco de pele e botas, e ela perguntou onde eu comprei. Eu disse a ela que eu mesma os tinha feito, e ficou muito surpresa. E desde então ela é um cliente nossa, estamos realmente fazendo um monte de peças para ela. Estou muito, muito feliz que ela gosta delas e ela está usando todos os lugares. É uma grande honra, mas não é um contrato, não é algo comercial, é amor. Nós a amamos e ela nos ama.

Você estará desfilando novamente em janeiro?
Claro, nós esperamos que sim. Nós já começamos a trabalhar no próximo desfile e desta vez teremos mais tempo. O show anterior, nosso primeiro em Paris, nós o preparamos inteiro em menos de três semanas.



Será que suas raízes russas serão uma constante em suas coleções?
Eu sei o que vamos mostrar em janeiro e em julho próximos, eu acho que temos algo como seis conceitos prontos. Eu só quero ser uma designer russa. Temos uma cultura muito rica. Eu gostaria de mostrar a todo o mundo que temos uma grande história. É uma história que nunca termina. Eu posso tirar e tirar e tirar, temos realmente um monte de coisas para tirar de nossa história.

Quais são seus objetivos para a marca?
Para ser franca, ainda não sei, mas espero o melhor. Acabamos de voltar da Itália, do desfile couture de Dolce & Gabbana e eu estou admirando muito. Por mais de 20 anos eles estão sempre usando algo da Itália, da história do seu país e estão fazendo isso muito bem. Eles são meus ídolos. Eu gostaria de ter algo parecido com o que eles têm.
Você vai comprar alguma coisa da sua coleção deles?
Eu sou absolutamente apaixonada por esta marca. Eu amo o que estão fazendo. Quando eu penso sobre Dolce & Gabbana eu simplesmente sei quais os livros deque eles gostam, quais os alimentos de que eles gostam, que filmes eles assistiram. Eu os entendo. Sim, eu comprei algumas coisas. Foi tão comovente. Eles realmente mostraram uma parte deles.

Fale sobre seus outros estilistas favoritos.
Eu realmente admirava e ainda admiro John Galliano, porque, claro, ele é um gênio. E eu amo o que Karl Lagerfeld faz para a Chanel, especialmente alta costura. Eu amo as coisas dele. Desta vez foi engraçado porque Raf Simons, em sua coleção para a Dior Couture, criou essa saia floral bonita, com uma blusa transparente. Não era o "nosso" olhar, mas era uma coisa muito minha. Admiro um monte de designers. Quando você está fazendo algo por si mesmo, você entende o quão difícil é ser um designer, como é difícil ter inspiração o tempo todo, como é difícil organizar todos os processos. Eu amo todos os designers. Eu amo os sapatos do McQueen, os chapéus de Philip Treacy ou Stephen Jones. Eu tenho uma coleção de coisas realmente originais, e estou feliz de tê-la.



Como você se interessou por moda?
Toda minha vida eu fui absolutamente louca por coisas boas e bonitas. Talvez seja por causa da minha avó. Eu tive uma infância Soviética, e era difícil comprar algumas coisas. Minha avó fez vestidos para mim. Ela usou todas as suas fontes para me fazer ficar bonita. Eu nasci no Cazaquistão. Quando eu estava na escola, toda a escola discutia como eu estava vestida. Eu gostava de usar, por exemplo, um vestido com calças, algo um pouco louco. Tínhamos um uniforme na minha escola. Você sabe, os professores ficavam com raiva de mim porque eu estava sempre desobedecendo eles e usando o que eu queria.

Você tem outros ícones de estilo?
Eu me inspiro em estrelas de filmes antigos, a partir de desenhos animados soviéticos, às vezes até mesmo nos heróis de desenhos animados. Eu adoro a Ava Gardner, eu amo Sophia Loren, eu amo Brigitte Bardot, e é claro, Grace Kelly. E um monte de nomes soviéticos, que eu acho que você não conhece. A cultura soviética não é tão popular.

Quando você está em Paris, você é seguida por um bando de fotógrafos. Existem fotógrafos em Moscou que te encontram e te fotografam?
Não, é uma das razões por que decidi me mudar para Paris. Infelizmente, as pessoas aqui não amam tanto a marca e a mim no meu país natal, e eu sinto muito sobre isso.

Então as pessoas não prestam muita atenção à moda em Moscou?
Não, aqui eles prestam muita atenção à moda e todas essas coisas. Alguns deles, talvez não queiram se desenvolver, fazer alguma coisa para ser bem sucedido, ter um emprego. Eles preferem ser agressivos ao invés disso. O país não é muito bem sucedido como um todo. Estamos tentando mudar a situação.

As pessoas estão com inveja do seu sucesso?
Eles não estão com inveja do meu sucesso em particular. A maioria das pessoas são agressivas com todos que são bem sucedidos ou que têm dinheiro, ou que estão tentando trabalhar para mudar a situação no país. Eles simplesmente preferem não fazer nada. Não é sobre mim.



Você tem um visual tão peculiar. Você já se percebeu influenciando o estilo dos outros em Moscou?
É uma pergunta muito boa. Quando eu apareci na cena há alguns anos, muita gente riu de mim. Eu tenho um estilo muito reconhecível e, talvez, engraçado. As pessoas riram, realmente, das minhas longas saias. Mas agora um monte de gente pede para suas costureiras, "Me deixe igual à Ulyana." Temos muitas pessoas com roupas semelhantes às minhas saias. Temos agora um monte de designers russos que estão produzindo saias e vestidos parecidos. Não muito tempo atrás, era muito engraçado e as pessoas riam. Agora eles estão usando.

Onde é que você faz a maioria de suas compras?
É uma situação comum, quando eu estou vendo um desfile, uma passarela, e eu fico louca por alguma coisa, pedir para ter a coisa. Eu não estou falando de alta costura, é claro, estou falando de prêt-à-porter. A maioria das coisas interessantes e originais não são produzidas depois do show. É sorte quando as pessoas são tão amáveis ​​e me vendem o item do desfile. Todas as marcas, eles têm a mesma resposta. "Esta não é uma coisa comercial, não podemos produzi-la. Ninguém, exceto você, Ulyana, quer comprar isto, lamentamos."

As meninas no meu escritório querem saber, você muda sua roupa tantas vezes em casa, em Moscou, quanto faz nas temporadas de desfiles?
Não, claro que não. Antes, quando eu não trabalhava, mudava muito de roupa, realmente, estava realmente como uma louca. Agora, como eu tenho que trabalhar muito, eu simplesmente não tenho tempo mais. Eu ainda tenho um interesse. Gosto de mudar de vestidos, adoro criar algo especial, para combinar as coisas. Mas agora, me desculpe, eu não tenho tempo, estou usando tênis e jeans e estou sem maquiagem.

Elas também perguntaram, quão grande é o seu armário?
Parece uma casa. Há apenas uma pessoa capaz de encontrar algo lá: Eu, mais ninguém. Lembro-me de tudo, é como um programa na minha cabeça, com botas, calças, saias, chapéus, lingerie.



Coisas de qual estilista você diria que possui mais?
Eu não posso  dizer, há um monte de arquivos na minha cabeça. Eu tenho muito de Dolce & Gabbana, de Prada, e muito de Chanel, mas não a Chanel russa. Estou coletando itens de desfiles, muito raros. Eu tenho um monte de roupas vintage, e um monte delas eu estou comprando na América, a partir de leilões, de colecionadores particulares, a partir da loja Ressurrection. Porque nos Estados Unidos há uma série de peças únicas em excelente condição, eu não sei por quê. É sorte encontrar uma coisa em bom estado dos anos quarenta ou trinta ou cinqüenta. Eu tenho mais coisas em bom estado a partir dos anos sessenta. Claro que estou usando, mas deve ser uma ocasião especial para usar estas peças. Estou guardando para desfiles de moda. [A entrevista é interrompida por crianças que entram no quarto.] Me desculpe, são meus filhos.

Eu pensei que você tinha apenas um.
Eu tenho dois, um menino de 11 anos de idade e uma menina de 6 anos de idade. Ela gosta muito de desfiles. Para ela era é uma coisa comum, ela tem um monte de vestidos, meus vestidos. Ela gosta de moda e está fazendo um monte de esboços, que às vezes eu uso, porque alguns deles são muito originais. E ela está fazendo vestidos para suas bonecas. Ela está organizando algumas performances que chamamos de "passarela", quando está pegando algo de meu guarda-roupa ou se trocando.

Você está levando-os para as férias de Verão?
Não há planos ainda. Talvez você tenha ouvido que, na Rússia, nós temos essa grande tragédia. As enchentes [na região de Krasnodar]. Natalia organizou um acampamento lá, ela está apoiando as pessoas. Ela está fazendo muito e eu acho que eu e Frol [meu parceiro de negócios] iremos voar para lá e ajudar Natalia, e talvez nós sejamos capazes de ajudá-los. Nós não temos quaisquer outros planos. Você sabe, é um grande prazer para mim agora trabalhar. Eu não posso sair de Moscou, mas é uma coisa boa. Eu encontrei algo muito valioso e estou feliz por isso.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

ROADTRIP


Viajar é minha atividade preferida. Todo mundo acha que gosta de viajar, mas nem todo mundo sabe fazer essa experiência realmente valer a pena. Eu gosto de pensar que eu sou uma das que sabe. No mês passado eu fiz uma das melhores viagens, com pessoas que eu gosto muito. Não só os destinos eram bacanas, mas o fato de fazer os trajetos de carro fez toda a diferença. Havendo a oportunidade, deixe a preguiça de lado e dirija pela costa da Califórnia, adentre o deserto. Ter contato com paisagens diferentes das que a gente tem ao nosso redor todo dia traz um novo ânimo para a alma, faz lembrar como nós somos insignificantemente pequenos e que tem muito ainda a se descobrir mundo afora.

Como eu sou meio preguiçosa, vou aproveitar a ajuda profissional da companheira de viagem e irmã que felizmente teve a manha não só de tirar as fotos durante a viagem, como de editá-las agora, na volta. O blog dela nasceu hoje e o primeiro post tem algumas fotos da nossa roadtrip. Clique na foto dela (usando o casaco que eu "fiz") para ver todas!





terça-feira, 10 de julho de 2012

TAYLOR TOMASI HILL FALA SOBRE SPFW


O site Fashionista aproveitou a Brazil Week do site Moda  Operandi para publicar a entrevista que fizeram com a diretora artística, Taylor Tomasi Hill, sobre o nosso SPFW. Para quem não está a par, o Moda Operandi funciona da seguinte maneira: uma equipe liderada pela ex-editora de acessórios da Marie Claire norte-americana vai até a cidade onde estão acontecendo as semanas de moda, e lá fotografam os looks que estão sendo desfilados naquela temporada. O e-commerce lança, então, um mostruário virtual que fica disponível de 3 a 7 dias. O comprador faz sua encomenda através de um depósito de 50%, e quando a peça fica pronta o estilista a envia ao MO. O consumidor final a recebe completando o pagamento.

Ela esteve aqui na última edição da SPFW e agora é possível fazer as encomendas das marcas brasileiras selecionadas por ela. Leia a entrevista traduzida para saber o que ela achou.



Pela terceira temporada consecutiva, o Fashionista cobriu a São Paulo Fashion Week. Fora as quatro principais semanas de moda, São Paulo está provando ser uma importante a ser seguida, em nossa opinião. A indústria da moda tem investido intensamente nos mercados emergentes dos países do BRIC, e enquanto a China tem sido o foco de tais esforços, o Brasil não pode ser descontado.

A expansão econômica do país, sua indústria têxtil e profundidade de talento (além da oferta infinita de modelos lindas) fazem uma parada em São Paulo cada vez mais importante no circuito da moda. A Moda Operandi pensa assim também. O site de vendas enviou a diretora artística Taylor Tomasi Hill para explorar o talento para eles. E algumas de suas escolhas acabam de ir para o ar, em venda especial já disponível!

Aqui está o que ela tem a dizer sobre o seu tempo em São Paulo, como é diferente do resto das grandes semanas de moda, e sobre os designers que ela pegou para Moda Operandi enquanto estava lá. 



Fashionista: Por que você decidiu ir para São Paulo nesta temporada?
Seguidores de moda e insiders estão sempre procurando algo novo, é o que mantém isso interessante. Vimos um monte de talentos em São Paulo e fiquei emocionada ao ser capaz de me conectar com designers brilhantes, editores de moda e blogueiros de lá.

Quais foram as principais diferenças que você notou entre a São Paulo Fashion Week e as principais semanas de moda de Nova York e Europa?
Cada semana de moda é muito diferente das outras e é influenciada pelo povo e cultura da cidade que as hospedam. O clima no Brasil é expressivo, o que está definitivamente refletido nas coleções que estamos apresentando esta semana no Moda Operandi, para a Brazil Week.



O que te surpreendeu mais sobre São Paulo?
Eu estava esperando ver principalmente moda praia e fiquei animada após meus primeiros encontros onde encontrei algumas boas coleções coesas. Algumas pequenas, mas poderosas, ao mesmo tempo. Cada marca que selecionamos tem uma identidade forte e clara.

Quem é que você acabou pegando para vender no Moda?
Estou confiante nas marcas incríveis que separamos para apresentar no Moda Operandi esta semana, um pouco de algo para todos. A venda especial do Brazil Week inclui ready-to-wear da Patricia Viera, Colcci, J. Chermann, Cris Barros, Paula Raia, Isolda, Pedro Lourenço, Barbara Bela e Iódice, jóias de Silvia Furmanovich, Carla Amorim, Ara Vartanian e Linha Ara Varatanian; Moda praia por Adriana Degreas e Água de Côco.



O que você fez enquanto não estavam em shows?
Quando vou às diferentes semanas de moda, eu me pego mais em showrooms do que sentada em salas de desfile. Shows são certamente importantes para capturar o sentimento ou a mulher que o designer está querendo atingir, mas quando pressionada pelo tempo, quanto mais eu posso ver, melhor. Quando se trata de edição, sou rápida e, geralmente, não questiono a minha decisão. Fotografamos 15 coleções em dois dias, que é um recorde para nós.

Os brasileiros já tinham ouvido falar do Moda? É popular por lá?
Sim, o Moda Operandi é muito popular no mercado brasileiro. De fato, o site tem uma versão disponível em português por essa razão. A resposta que recebemos do Brasil foi mais do que de boas-vindas e é realmente emocionante para nós ser capaz de dar a esses talentosos designers do Brasil uma maior exposição a nível internacional.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

L.A. SUNDAY




Too odd to start at the end? But c'mon, this is just my style ...
My last day trip was in Los Angeles, all by myself in a beautiful summer Sunday. Not that I have too much authority to act as a guide for the city that I knew for no longer than seven days, but I had a good day and so I think it's only fair to share it.

First of all, I gotta say that LA was never my dream destination. I had a certain prejudice. For me, the city came down to Beverly Hills and Hollywood, and they didn´t quite made me interested. I ended up there because my sister was studying at UCLA and, making the long story short, the family planned a trip to "get her back".



On Sunday, everyone boarded back to Brazil but me, who had scheduled my flight to Monday. I rented a car and went to see what was there to do. During June and July, the day starts cloudy, as a resident told me, and around noon the sun appears high and shiny.

My first stop was the Farmers Market, which I had already visited, but I knew I could find gifts that were still missing. It is quite a tourist spot, with a food court with lots of variety of fruit and food stands. At the same place, a shopping center where the best brands surround one of those dancing fountains. Like I said, very tourist like. But pleasant, especially on a sunny afternoon.



The second target was suggested by Andreia, who lived there and loves a flea market. The Fairfax Trading Post happens every Sunday, at the corner of Fairfax and Melrose Avenue, and is one of the best flea markets I've been to (a suuny day and beautiful people scored many points). For $ 2 entry, you will find furniture, records, art, wonderful empanadas, and what charmed me most, tents specializing in old boots separated by style, vintage band shirts, corsets and custom jewelry made from pieces of the beginning of the 20th Century.






Taking advantage of having no one telling me not to cut my hair which was already at my waist line, and also the fact of being in a suitable neighborhood, I left the fair and went looking for a hair salon. I had already done a GPS search and knew that there were at least two at that point of Melrose, I just had to check whether they were  open on a sunday. The first one I saw was charging $ 85 a haircut, and I thought, kind of expensive for a mini-madness. I sympathized for the second one right away, and despite the grumpy clerk, I knew I wanted to cut my hair there even before asking the price.



Luckily, it was much more reasonable. Rudy's Barber Shop is an interestingly decorated, and as I found out only after getting their business card and looking at  their website, a story beyond friendly and a promise that could not suit more perfectly with what I expected that day. On the home page you read: "If you wake up in the morning and decide you need a haircut, you don’t have to wait 3 weeks for an appointment ... You can walk into any Rudy's any day of the week and get a great haircut." They were founded in Seattle in 1993. Nothing more grunge, uh ... On the ‘About’page you find a cool video that talks about it and show all address (they´re in Seattle, Portland, Los Angeles and NY).



You know, I believe in signs. And I got rid of about 30 cm of hair! Trista, a super nice girl who was born in Orange County, was responsible for grooming, and could not have better understood my expectations. You know you made the right decision when you think why haven´t I done this before, huh?

And so, I went a few pounds lighter to the hip hop party that I wanted so much to know, The Do-Over, in Hollywood. To my disappointment, arriving there the queue was too big and I quit. But for those who like that sort of sound, I'm sure it's worth. You could see that it was on fire!



Was already getting late, and I was getting hungry. I decided to go to Westwood for a walk and eat something. The neighborhood is very close to UCLA and I had already become familiar with it. There are some interesting shops and a climate of movie set, I can not explain why. I ate a pretty decent falafel sandwich and went back to the hotel with a great impression of the city.



Luckly, when I arrived in Sao Paulo the weather was warm, otherwise I would be longing for the trip much worse!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

HOJE É DIA DE FUTEBOL!

Desculpa a mudança repentina de assunto, mas hoje é dia de futebol! E esse é o texto que melhor explica a dor e a delícia de ser corintiana, como eu sempre fui.
Pele arrepiada, lágrimas e muito, muito sofrimento é o que se espera do dia de hoje, desde que ele começou. E é por isso que eu não consigo escrever sobre mais nada!

Até amanhã!




Milly Lacombe

Não é verdade que só o corintiano sabe o que é ser corintiano. Eu não sou corintiana e vou contar que sei o que é ser corintiana.
Também não é verdade que o corintiano já nasce assim. Eu não nasci corintiana. Não fui, e não sou, corintiana até meus 30 anos – há 13, portanto.
É por isso que na pele de uma autêntica não corintiana posso dar meu depoimento sobre o que é ser corintiana.

Sou torcedora do Fluminense. Cresci tricolor de coração, graças a meu pai, que depositou em mim o amor pelo Flu e, acima de qualquer crença, pelo futebol – e a quem, por essa e infinitas outras, devo eterna gratidão.
Fui uma criança fanática pelo jogo de bola, para desespero de minha mãe, que preferiria me ver de cabelos penteados e brincando de boneca.
E, como qualquer criança abençoada pela paixão clubística, aos sete anos, muito por culpa de Zico, eu tinha plena noção do que era sofrer.
Aos oito, já tinha entendido que não seria possível passar por essa aventura terrestre sem mergulhar em profunda dor.
E aos 10, mesmo não sabendo disso de forma racional, intuí que, de todas as grandezas do futebol, ensinar a sofrer talvez fosse a maior delas.
Passei pela adolescência tendo em mim o registro de sofrimentos profundos e a consciência de que deles eu sairia.
Não sei como teria conseguido atravessar os momentos mais escuros da vida adulta sem esse entendimento
Por isso, graças ao jogo, saí da adolescência com a noção de que, assim como nossa própria existência, o futebol não deve ser explicado ou reduzido a estatísticas, sob pena de tirarmos dele a maior de suas belezas.

Exatamente como o ser humano, que quando dissecado perde a alma, o futebol se decompõe se visto sob ótica puramente aritimética.
Trata-se de um jogo que deve ser, acima de tudo, sentido.
Entrar no Maraca e me misturar aos que estavam vestidos como eu, aos que cantavam como eu, aos que vibravam comigo e, especialmente, àqueles que sofriam minha dor passou a ser fundamental.
Não há no mundo comunhão maior do que dividir com alguém o sofrimento.
Muito mais do que na alegria, é na dor que nos reencontramos.

A torcida do Fluminense nunca foi a maior, mas sempre me emocionou às vísceras. Na vitória e na derrota.
Estar ali quando Washington colocou, de cabeça, a bola nas redes aos 48 do segundo tempo durante o mata-mata de Libertadores foi das experiências mais sobrenaturais que já provei.
A mesma sensação de fazer amor com a mulher de seus sonhos, de ficar entorpecida de paixão depois de uma noite de total entrega, de acordar no dia seguinte e pensar que o mundo é lindo, que a vida vale a pena, que experiência humana não é em vão, que existe um motivo.
O Fluminense fez isso por mim.
Incontáveis vezes, desde os meus cinco anos, o Fluminense me fez estar possuída por um Deus.
Nada glorifica mais do que a vitória, ainda mais quando ela nos é oferecida no finalzinho do jogo.
Mas não demorei a entender que só uma coisa nos humaniza – a derrota.
Só ela nos solidariza, nos une, nos resgata da ilusão.
O caos é, afinal, a origem de tudo. A partir dele, nos formamos e amadurecemos.
Enquanto isso, a vitória tem a diabólica qualidade de revelar nosso lado mais pernóstico, egocêntrico e arrogante.
Vencer é preciso, mas perder é fundamental – e isso o futebol me ensinou.

Em 1976, já morando em São Paulo, por motivos óbvios odiei o Corinthians acima de todas as coisas e declarei, na nova cidade, que seria são-paulina, movida pela vã ilusão de que um time você pode escolher como pega uma calça jeans na loja – experimentando e tornando sua aquela que melhor servir.
O São Paulo era escolha natural; time de meu irmão e tricolor como meu Flu.
Até pegar o São Paulo como segundo time, até ver o meu Maraca dolorosamente invadido em 1976, gostava de dizer a quem perguntasse que, em Oslo ou em Xangai, eu era torcedora do Fluminense.
E sonhava com o dia em que seria famosa, concederia educadamente uma entrevista e declararia ao entrevistador: Sou Fluminense aqui, na China e na lua. A resposta estava pronta desde os cinco anos.

Em 1977, mobilizei a casa aos prantos, gritos e esperneios exigindo que me levassem ao Morumbi para ver o Corinthians perder para a Ponte. Era minha forra particular.
Minha mãe, exausta com aquele escândalo, me arrastou pelos braços e me levou ao jogo, sob protestos de meu pai que dizia que éramos loucas.
Éramos. Somos.
Em dias de jogos normais, ao Morumbi íamos meu pai, meu irmão e eu. Depois, Sergio, o primeiro namorado e o primeiro namorado são-paulino em minha vida. Depois, Marco Fabio, o segundo namorado são-paulino, com quem eu passava tardes de domingo no Morumbi, para onde íamos a pé de sua casa.
Os anos foram seguindo e, diante da necessidade de esconder minha homossexualidade, o futebol perdeu um pouco do colorido.
Permanecer dentro do armário bravamente era meu único objetivo – e esse troço dava trabalho demais.
Em 1996, fui morar na Califórnia e, ainda sem a conveniência de um canal internacional de jogos e com a internet engatinhando, acabei me afastando completamente do esporte que tanto amei.
O que se revelou uma benção, porque não vi meu Flu na terceira divisão, embora alguns colegas de infância tivessem se dado ao trabalho de me zombar além-mar.

De volta a São Paulo depois de seis anos, desembarquei em família vitaminada por são-paulinos: fora o irmão, agora um total de três sobrinhos e dois cunhados completavam o elenco tricolor.
Minha mãe, italiana que chegou ao Brasil aos 15 anos, largou o Palmeiras e, em nome da alegria da prole, se fez são-paulina.
Foi quando se consumou a tragédia.
Já namorando mulheres oficialmente, acabei me apaixonando por uma que tinha esse grave defeito: torcia para o Corinthians.
Torcia, modo de dizer.
Descabelava-se. Chutava pé de mesa. Virava cambalhotas. Arrancava o couro cabeludo.
Tive, portanto, nenhuma chance de dizer não quando ela, sabendo de meu interesse pelo futebol, fez o convite para que fossemos ao Pacaembu.
Pacaembu, palco estranho naqueles meus 25 anos de vida em campos de futebol. Maracanã, Laranjeiras, Morumbi e até Canindé me eram mais familiares. Mas, resignada pelo poder da nova paixão, me arrastei com ela para o estádio.

Corinthians e Internacional. Jogo que não valia muita coisa, mas a casa estava cheia.
Na numerada, me comportei como deve se comportar o torcedor misturado aos rivais: da forma mais discreta possível. E logo no primeiro tempo, a alegria: gol do Inter.
E nessa hora o tempo deu uma parada.
Quem freqüenta estádios sabe que não há silêncio mais profundo do que aquele que se faz depois do gol do time de fora. Duro, seco, melancólico. A falta de som que só a incredulidade oferece.
Por outro lado, para o invasor invisível, trata-se de um silêncio repleto de prazer, cheio de doces nuances – ah, como é bom saborear a dor do rival olhando dentro dos olhos dele. Tão demasiadamente humano.
Foi precisamente esse silêncio que eu esperava ouvir naquela tarde.
E talvez tenha sido esse o instante em que tudo mudou. Talvez. Quase dez anos depois, não tenho como precisar.

Estava eu remoendo minha alegria solitária de ver o Corinthians sofrer um gol quando a torcida explodiu gritando Timão Eô Eô.
O que era aquilo? Que imbecis, pensei. O gol foi contra eles. Tontos. Malucos. Loucos.
Levemente chocada, tive que rir um pouco mais da atitude patética.
Naquela tarde, um sábado se não me engano, saí do estádio ainda sem saber que tinha sido para sempre alterada.
Os meses se passaram e eu repeti incontáveis vezes as idas ao Pacaembu.
Buscava, hoje sei, ouvir novamente uma torcida explodir na hora indevida.
Buscava a comemoração de um carrinho no meio de campo. Buscava contemplar a paixão de uma torcida capaz de vibrar com a bola chutada para a arquibancada, capaz de cair de joelhos por um lateral bem batido, capaz de começar a cantar o hino do clube sem motivo no meio de um jogo que nada vale.
Buscava o inimaginável, o impossível, aquilo que só os doidos, os alucinados, os destemperados alcançam. E o Corinthians foi me dando tudo isso, como que por encomenda.
Entrar no Pacaembu no embalo do canto da fiel passou a ser o que mais queria durante a semana. Sentir a pele arrepiada, os olhos cheios d’agua ouvindo 30 mil vozes vibrar com um gol sofrido. Doidos que me encantavam. Malucos que me provavam viva.

Até que um dia me peguei aos prantos depois de uma derrota.
Dizem por aí que o corintiano se revela na dor. Meu corintianismo, pelo menos, foi assim revelado.
O Fluminense me ensinou a sofrer, me mostrou que a alegria e o êxtase só podem ser colocados em perspectiva diante do registro da dor e do desgosto.
E o Corinthians me ensinou que podemos entrar na dor e saboreá-la de um jeito estranho, mas necessário. Que podemos deixar que ela fique ali, que cumpra seu papel, que continue a nos humanizar e a nos revelar.
E que talvez exista uma forma de celebrá-la, de ritualizá-la, de deixar que ela nos reconecte à realidade – uma propriedade que só a tristeza oferece; nunca a alegria.
O Corinthians me mostrou que existe poesia na dor.

Acho que quase todo mundo já experimentou a agridoce sensação de se apaixonar por alguém que não devia. De se sentir traindo um grande amor. De se envergonhar pelo sentimento inadequado.
Foi isso o que senti naquele dia. Estava apaixonada por um time que não era o meu. Doida de amor por cores que não eram as corretas.
Meu pai, que me deixou cedo demais, talvez pudesse me entender; ou, como fazia tão bem, me explicar. Mas ele não estava mais.
Amar duas pessoas não é impossível, como quase todos sabem. Socialmente, e por convenção, temos que a paixão dupla é proibida, é imoral, é vergonhosa.
Entre paredes, entretanto, sabemos que não é bem assim.

Virei uma ilha. Única alvinegra cercada por uma multidão de são-paulinos: nove sobrinhos, um irmão, dois cunhados e, mais recentemente, o amor de minha vida, a mulher com quem passarei os próximos 50 anos, se ela assim deixar.
Eram, até o fechamento desta edição, 13 – ou 14 se contarmos outro tricolor por quem me apaixonei, Mauricio Svartman -, a me perseguir e me azucrinar.
Para minha desgraça particular, são são-paulinas as pessoas que mais amo no mundo.
Mas experimentar esse corintianismo me permitiu alcançar um estado de espírito que, se atingido mais vezes e por mais pessoas, até por mim em diferentes situações da vida, poderia melhorar o mundo – você na pele do rival.
Você sentindo o que sente o outro. Você vivendo a dor e a delícia de ser seu próprio inimigo. A cura pela troca. A benevolência pela inversão de papéis.

Como nunca fui muito dada a convenções, decidi assumir as duas camisas.
Achando, claro, que dificilmente teria que conviver com a trágica situação atual: meus dois times liderando o campeonato.
Então, toda essa enrolação foi para dizer que os dias de rodada não têm sido fáceis. Sentimentos misturados, contradições dolorosas, sensações bipolares, saudade monstro de meu pai.
O que fazer?
Talvez o melhor seja mesmo tomar a atitude da menina que se vê flagrada pelo namorado enquanto saboreia um sorvete com o amante na praça em pleno sábado à tarde: pegar minha parte do doce, sair de fininho e deixar que se entendam.